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Domingos Jarí Vargas, presidente da Cooperativa dos Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia (Cooperagrepa)

Foto:  Planeta Orgânico
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10/09/2008 - Presidente da Cooperativa dos Agricultores Ecológicos do Portal da Amazônia (Cooperagrepa), o catarinense Domingos Jarí Vargas divide seu tempo entre a visita aos núcleos de produção agroecológica da região e a participação em feiras internacionais, onde tenta fechar negócios com compradores preocupados com a procedência ambiental dos produtos que consomem. Nesta entrevista ao Portal da RTS, ele fala sobre o papel da Cooperagrepa para a construção de um novo modelo agrícola na Amazônia e aponta a importância da tecnologia para este desafio.

A Cooperativa reúne 300 famílias de agricultores dedicadas à produção de alimentos orgânicos. São frutas, hortaliças, rapadura, açúcar mascavo, melado, café, leite, queijo e castanhas. As vendas, mesmo pequenas, já alcançam a Itália e a Áustria, assim como a merenda escolar de 24 mil crianças da região.

Formada em 2003 por colonos que vieram há décadas para o norte de Mato Grosso, a cooperativa produz cerca de 500 toneladas de alimentos por ano nos municípios de Terra Nova do Norte, Peixoto de Azevedo, Matupá, Guarantã do Norte, Novo Mundo, Carlinda, Alta Floresta, Nova Santa Helena e Marcelândia, na divisa do Mato Grosso com o Pará. A experiência baseia-se em Núcleos de Produção descentralizados, com pequenas e médias agroindústrias, e na certificação dos produtos, que são colhidos, processados e embalados na própria região. Enquanto em 2005 o total comercializado rendeu R$ 15 mil aos agricultores, a expectativa do grupo é movimentar este ano R$ 1 milhão em vendas, valor que deve dobrar em 2009.

Rede de Tecnologia Social (RTS) - Como a experiência da Cooperagrepa se inscreve na tentativa de construção de um novo modelo agrícola para a Amazônia?

Domingos Jarí Vargas - Todas as ações, desde o começo, aconteceram pela necessidade de mudança. Como um grande diferencial, aprendemos a aprender. Hoje temos uma diversidade enorme de Tecnologias Sociais que foram construídas pelos próprios agricultores.

E o importante é que esse desafio de mudar a paisagem do Portal da Amazônia é hoje também um diferencial de mercado. Sempre que surge uma dificuldade, partimos na busca das soluções. Temos, por exemplo, um agricultor técnico em cada núcleo de produção para buscar esses novos conhecimentos e repassá-lo aos demais agricultores. Não podemos obrigar que todos sejam iguais a gente, mas temos que ser propositivos e buscar parcerias que nos ajudem nesse desafio.

RTS - Qual o papel da tecnologia para a construção deste novo modelo?

Domingos - Para manter a qualidade do produto e certa uniformidade para a comercialização, por exemplo, precisamos de conhecimento. A tecnologia, para nós, é aquilo que a gente tem à mão ou desenvolve diante de uma necessidade. E o nosso exercício é pensar em tudo ao mesmo tempo, até porque é impossível pensar em uma coisa separada da outra. A tecnologia é que nos possibilita botar na prática estes princípios ao mesmo tempo em que nos tornamos competitivos no mercado. Sem esse equilíbrio, torna-se muito difícil convencer os agricultores a apostar num novo modelo.

RTS - A Cooperagrepa é formada majoritariamente por colonos que saíram de seus estados de origem em busca de novas alternativas. Como esse movimento marcou a região?

Domingos - A colonização foi quase um transplante e trouxe o mesmo modelo das terras de onde vieram, que era abrir área e limpar a terra. Não podemos culpar estes agricultores, até porque naquela época a mentalidade era essa e não tínhamos conhecimento e consciência dos efeitos deste modelo para a região e para o planeta. Hoje temos mais informações, conhecimento. O maior desafio é a pessoa se propor a aprender a observar como a natureza funciona. A revolução acontece primeiro na cabeça da gente e então parte para a prática.

RTS - A Cooperagrepa apostará agora na implementação de Sistemas Agroflorestais (SAFs) na região. Por quê?

Domingos - Os SAFs trazem todos os conceitos que a gente precisa em termos de prática. Ele garante, ao mesmo tempo, uma diversidade da produção e um aprendizado de como a natureza se reproduz e se organiza. É um espaço de multiplicação de conhecimento, que também recompõe parte da paisagem desmatada. Temos que começar a discutir, na região, o que são bens e serviços ambientais e como podemos estimular o agricultor a avançar nisso.


Por Vinícius Carvalho, jornalista do Portal da RTS

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