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Consumo das classes A e B no Brasil equivale à produção de dois planetas Terra


Pesquisa, realizada em parceria com o Ibope, mostra que 45% da população segue esse padrão de consumo

Foto: Envolverde
Consumo-das-classes-A-e-B-no-Brasil-.jpg
Pesquisa foi coordenada pela Ong WWF

05/06/2008
- Se o mundo todo consumisse água, energia, alimentos e serviços da mesma forma que as classes A e B brasileiras, seriam necessários três planetas Terra produzindo ininterruptamente para fornecer os produtos e serviços em quantidade suficiente para abastecer esse consumo. É o que mostra uma pesquisa divulgada nesta quinta-feira (05-06) pela organização não-governamental ambientalista WWF Brasil.

A pesquisa, realizada em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope), mostra que 45% da população segue esse padrão de consumo. Todo o restante, ou seja, 55% dos brasileiros, consomem de uma forma que demandaria dois planetas Terra para ser abastecida.

Em comparação, os hábitos de consumo da população dos Estados Unidos, se fossem adotados em todo o mundo, demandariam a produção de bens e serviços de mais de cinco planetas Terra.

Esses dados “acendem a luz amarela, para que a gente possa ter um consumo sustentado”, diz a secretária-geral do WWF Brasil, Denise Hamú. “[Isso] significa que temos que repensar nossos hábitos”, destaca Irineu Tamaio, coordenador do Programa de Educação Ambiental do WWF Brasil. Ele ressalta que 67% da população não sabe qual o destino dado ao lixo produzido em casa – as pessoas apenas colocam o lixo em sacos que vão ser recolhidos pelos serviços de limpeza urbana.

Esse número é ainda maior nas Regiões Norte e Centro-Oeste (80%) e Nordeste (84%). Na Região Sul é que as pessoas estão mais acostumadas a separar o lixo reciclável – cerca de 42% da população faz essa separação ainda em casa, enquanto 44% somente colocam o lixo em sacos.

“Chama a atenção que, às vezes, o Sudeste e o Sul tenham política públicas ou campanhas de esclarecimento ou divulgação a respeito do destino do lixo, e que talvez nas Regiões Norte e Centro-Oeste, ou talvez no Nordeste, não existam políticas de aperfeiçoamento, preocupação ou destinação do lixo”, acrescenta Tamaio.

Segundo ele, um dado positivo merece ser destacado: o percentual de pessoas que sempre desligam lâmpadas e aparelhos eletrônicos quando não os estão usando: 80% fazem isso. “É um índice que a gente considera alto.”

“O que nós queremos é despertar na sociedade brasileira uma forma de pensar e agir para propor algumas mudanças, ou seja, o consumo gera um impacto”, diz Tamaio. Ele aponta uma tendência de aumento do consumo no Brasil, mas ressalta que isso precisa ser planejado, pois a pressão sobre os recursos naturais é muito grande quando se confirma essa tendência.

“O fato é que a gente só tem um planeta, e hoje consumimos mais do que se tem disponibilidade”, completa Samuel Barrêto, coordenador do Programa Água para a Vida, do WWF Brasil. Essa é uma orientação, ele conclui, “que indica sinais preocupantes de como vivemos no país”.

A pesquisa ouviu 2002 pessoas em 142 municípios de todo o Brasil, entre os dias 13 e 18 de maio deste ano. De acordo com o WWF Brasil, foi a primeira vez que se fez um trabalho desse tipo no país.

Consumo consciente

O governo tem o seu papel na conscientização da população para o consumo. No entanto, a redução dos impactos do consumo no meio ambiente não depende só do governo. Essa é a avaliação da organização não-governamental ambientalista WWF Brasil.

Pesquisa realizada pela WWF Brasil em parceria com o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística (Ibope) mostra que se o padrão de consumo do brasileiro em relação a alimentos, energia, água ou serviços fosse repetido por toda a população mundial, seria necessário ter dois e três planetas Terra produzindo continuamente para fornecer os produtos e serviços demandados.

Esse impacto é o que o WWF chama de “pegada ambiental”, ou seja, a marca que é deixada na natureza. “O que nós estamos observando é que o consumo do brasileiro, em geral, é muito diferente. Mesmo assim, a acende uma luz amarela, para que a gente tenha um consumo responsável, para que possamos perceber que os recursos naturais são finitos e para que a gente possa então começar a racionalizar, usar tecnologias limpas”, disse a secretária geral do WWF Brasil, Denise Hamú.

Para conseguir essa mudança de atitude, Denise diz que as campanhas do governo são necessárias e destaca que o poder público tem o seu papel, “mas isso é uma responsabilidade de todos, não podemos ficar esperando do governo todas as soluções”.

A secretária também ressalta que as campanhas governamentais, para produzir mudanças de atitude na população, precisam mudar a sua forma. “Essas campanhas têm que ser mais propositivas e também ter uma cadência, não podem ser esporádicas, ou reativas”, como foi o caso do apagão em 2001, lembra.

Na época, por causa da falta de energia para ser oferecida à população, o governo teve que fazer campanhas e adotar medidas restritivas para diminuir o consumo. No final, a movimentação deu certo. Um dos melhores índices da pesquisa do WWF Brasil com o Ibope é justamente o fato de que 80% dos entrevistados, independentemente de classe social, desligam lâmpadas e equipamentos eletrônicos quando não estão usando.

Por Ana Luiza Zenker, da Agência Brasil

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